Um pouco depois

é sempre longe demais

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Húmus, Raúl Brandão

A Vila

13 de Novembro

“Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste…

Uma vila encardida – ruas desertas – pátios de lajes soerguidas pelo único esforço da erva – o castelo – restos intactos de muralha que não têm serventia. Uma escada encravada nos alvéolos das paredes não conduz a nenhures. Só uma figueira brava conseguiu meter-se nos interstícios das pedras e delas extrai suco e vida. A torre – a porta da Sé com os santos nos seus nichos – a praça com árvores raquíticas e um coreto de zinco. Sobre isto um tom denegrido e uniforme: a humidade entranhou-se na pedra, a sol entranhou-se na humidade. Nos corredores as aranhas tecem imutáveis teias de silêncio e tédio e uma cinza invisível, manias, regras, hábitos, vai lentamente soterrando tudo. Vi não sei onde, num jardim abandonado – Inverno e folhas secas – entre buxos do tamanho de árvores, estátuas de granito a que o tempo corroera as feições. Puíra-as e a expressão não era grotesca, mas dolorosa. Sentia-se um esforço enorme para se arrancarem à pedra. Na realidade isto é como Pompeia, um vasto sepúlcro: aqui se enterram todos os nossos sonhos… Sob estas capas de vulgaridade há talvez sonho e dor que a ninharia e o hábito não deixam vir à superfície. Afigura-se-me que estes seres estão encerrados num invólucro de pedra: talvez queiram falar, talvez não possam falar.”

 

Já perdi a conta ao número de vezes que li este livro. E mais uma vez volto a ele. Decididamente um dos melhores livros de sempre.

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The best a man can get

“I found it hard woring really long hours when i was my own boss. The boss kept giving me the afternoon off. Sometimes he gave me the morning off as well. Sometimes he’d say ‘Look, you’ve worked pretty har today, why don’t you take a well-earned rest tomorrow.’ If i overslept he never rang me to ask where i was; if i was late to my desk he always happened to turn up at exactly the same time; whatever excuse i came up with, he always believed it. Being my own boss was great. Being my own employee was a disaster, but i never thought abaut that side of the equation.”

Ainda só li um capítulo ( cerca de 30 páginas ) mas estou a gostar bastante. É sobretudo divertido. Conta a história de Michael Adams, que compõe músicas para anúncios publicitários e leva uma vida dupla.

Este é mais um dos livros que habitavam a estante cá de casa mas que ainda não tinha sido alvo da minha leitura até ao momento.

Don’t ask me why!

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