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Cadeia, Jornal de Letras

Tive esta semana a oportunidade de visitar a Cadeia da Relação, no Porto, onde funciona, actualmente o Centro Português de Fotografia. Já era de ter vergonha na cara por nunca lá ter entrado, eu, uma apaixonada por Camilo Castelo Branco. Sendo, ainda por cima, de entrada gratuita ( pelo menos até à última quarta-feira, agora quando o senhor Gaspar souber… ).

Visitando duas das exposições patentes, fiquei, digamos, um pouco decepcionada. Eu sei que as salas de exposições devem servir como locais de reflexão aquando da contemplação das próprias obras expostas. Mas valha-me Deus. Aquelas salinhas pareceram-me tão pobrezinhas, tão chochinhas, tão mortinhas. Andava por lá um casal alemão quase tão desiludido quanto eu. Pelo menos as caras assim o indicavam. Ainda me cruzei com eles minutos mais tarde, já fora do edifício, mas ainda na zona da Cordoaria. Sorriram. Talvez a pensar ‘pobrezinha’…

Mas nem tudo foi mau nesta minha inesperada e gratuita visita. Do mal o menos, sempre senti o que deve ter sido para o Camilo escrever o ‘Amor de Perdição’ atrás daquelas grades. E tenho a dizer que não terá sido assim tão grande sacrifício. A vista é magnífica, tendo o visitante, ou o ‘habitante’ na altura, o privilégio de contemplar toda a zona da Baixa ( o Coliseu e a Sé saltam de imediato à vista), bem como o rio Douro, da sua janela. Julgo até, se não estou em erro, que Camilo menciona mesmo n’ ‘O Amor de Perdição‘ a contemplação dos barcos no Douro.

Na Cadeia pode ainda ler-se uma breve biografia de alguns dos presos mais ilustres da época.

Por fim, e não resistindo a mais uma Biblioteca, lá dei um salto. Mais uma vez me desiludi. Apesar de já contar com um acervo maioritariamente ligado à fotografia e outras artes, julgava ser possível encontrar também exemplares das obras de Camilo. Não encontrei. Não sei se terá sido lapso meu. Mas não me pareceu mesmo que houvesse. Havia sim, alguns vídeos sobre séries/documentários do autor passadas na tv. Do mal o menos, aproveitei e li algo que não lia há muito tempo: o Jornal de Letras. E aproveitando o facto de serem de distribuição gratuita lá trouxe para casa os dois exemplares deste mês. O Jornal de Letras, uma das minhas compras mais fiéis, começou também ele a ficar no quiosque graças ao desemprego. Pelo menos agora sei de um sítio onde me posso reconfortar com ele outra vez.

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